Código Z: o mal estar social

Será que entendemos mesmos as notícias?

com um comentário

Bom como primeiro post* escolhi a notícia do massacre israelense na faixa de Gaza. Será que realmente entendemos o que está em jogo quando Israel assassina a 117 pessoas (a metade deste número são civis).

A manchete de um dos jornais mais lidos do brasil, o Estadão, tem como titulo da notícia ”Após retirada, Israel ameaça realizar novas ações em Gaza.”

Esta é a notícia: “JERUSALÉM – Israel retirou na manhã desta segunda-feira, 3, seus tanques e blindados do norte da Faixa de Gaza após uma ofensiva de seis dias que deixou pelo menos 117 mortos e que encerrou as negociações por um acordo de paz entre israelenses e palestinos. O Hamas comemorou a retirada e considerou-se o vencedor nos violentos confrontos com o Exército de Israel, que afirma que promoveu a ofensiva para contar o disparo de foguetes contra alvos israelenses. O primeiro-ministro Ehud Olmert disse, após o retorno de tropas do país da Faixa de Gaza, que futuras ações militares israelenses ainda devem acontece.”

Analisaremo pois está notícia, começando pelo título da manchete rescreverei para melhor compreenção da notícia: Após retirada do exército, Israel ameaça novos ataques na faixa de Gaza. Se anunciada a notícia desta forma não muda o modo pelo qual absorvemos está informação.
Vamos à notícia: Reparem na parte da notícia que diz ”depois da ofensiva… Israel encerra o acordo de paz com os palestinos”. Agora pensemos juntos, qual acordo de paz que interessa a Israel? Já que o desejo de Israel é fazer com que os Palestinos abandonem seu território. ”Ação” que foi colocada em prática desde 1947-48 (quando foi decretado o estado de Israel). De lá para cá, Israel investe em invasões de territórios palestinos e a criação de assentamentos Judeus. O único acordo de paz que Israel realmente aceitará será a rendição dos Palestinos e a tomada de seu território.

Segundo ponto da notícia: ”Hamas comemora retirada de Israel e se considera vencedor do conflito.” Como comemora?
Comemora as 117 mortes dos Palestinos?  As constantes invasões israelense? Não existe comemoração, existe sim um alivio pela trégua de fogo, que logo retornará.
Pequenas palavras que mudam nosso modo de ver e absorver as notícias.
Na continuação da notícia, a explicação do porque das “AÇÕES” do exército israelense: “que afirma que promoveu a ofensiva para conter o disparo de foguetes contra alvos israelenses.” Desde quando Israel precisa de motivos para atacar?
Só o fato dos Palestinos resistirem as forças invasoras já é motivo para ataque israelense.
Ataques deste tipo ocorre a pelo menos 50 anos, eles não precisam de motivos claros.
Vamos para a última parte da notícia: ”O primeiro-ministro Ehud Olmert disse, após o retorno de tropas do país da Faixa de Gaza, que futuras ações militares israelenses ainda devem acontecer.”
Ou seja, está claro que não foi e não será a última ofensiva de Israel. Enquanto houver resistência (palestina), haverá ataques israelense. Para um acordo de paz a renvidicação Israelense é a aniquilação ou a retirada total do povo palestino.

Quando percebemos o modo pelo qual as informações nos chegam e conseguimos processá-las de maneira clara, distinguiremos como devemos receber esta informação. Fazendo com que não seja possível a impossição de formas de pensar. As notícias são moldadas de tal forma para que ao ler-las, o leitor esteja de acordo com o posicionamento político do jornalista ou redator, assim,  nós somos levados a conclusões muitas vezes erradas.
Só o que penso em fazer neste blog é apresentar outras formas de ler os SINAIS E SÍMBOLOS que nos chegam aos sentidos todos os dias.

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Written by Paulo Gustavo

03/03/2008 às 15:59

Uma resposta

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  1. lá vou eu defender a minha classe.. hahaa
    seguinte, meu caro amigo paulão..
    existem muitas teses que tratam do mito da imparcialidade dentro do jornalismo.. esse conceito, de fato, não existe em nenhuma manifestação jornalística. Em qualquer texto, vídeo, reportagem que vc vir, sempre estará implícita a opinião do jornalista, indubitavelmente.. o que sugiro que reflita melhor é a maneira como vc se refere`à intenção que esse ato preconiza. O fato de manifestar opinião não significa que nós do jornalismo queiramos “moldar” o pensamento de ninguém. Admitimos que nossas opiniões possam transparecer – e relemos nossos textos caçando resqúícios de opinião para ap´gá-los – digo isso em defesa dos jornalistas que se preocupam com sua integridade/credibilidade. De forma alguma, conseguimos ser 100% imparciais, embora essa seja uma busca ocnstante. O que resta de parcialidade, no entanto, não está ali com o intuito de fazer o leitor pensar da mesma maneira como nós pensamos. Temos de tomar muito cuidado com isso, sempre! Aí vc me diz: “mas christian, vc sempre vai defender o interesse da empresa pra qual vc trabalha!” Perfeito, completamente de acordo! Assim como vc defende seus ideais, luta por eles e até briga (no pacífico sentido da palavra) por eles, eu tb estou ciente da linha editorial sob a qual meu trabalho está sendo avaliado. Enfim, ser jornalista não significa ser vazio de opiniões. A ética profissional, no entanto, não permite com que os bons representantes da classe lavem o cerebro de ninguém. Continue assim, é ótimo ter opiniões de outras áreas, mesmo daquelas áreas irmãs, sobre o fazer jornalístico! Trata-se de uma ativdade enriquecedora que nos faz refletir sobre nosso trabalho a partir do olhar de pessoas especializadas como vcs da filosofia!
    Um forte abraço!

    christian

    04/03/2008 em 02:07


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