Archive for the ‘Ética’ Category
Eleições, cegueira e alienação.
Hoje, dia 05/10/2008, o povo brasileiro escolhe as pessoas que – em tese – representarão seus interesses por mais 4 anos, na máquina estatal. É um dia especial, (para Rousseau) é o único dia em que somos realmente livres, eu também acredito nisso caso não haja pressão ou manipulação dos resultados, é hoje o dia em que temos que dar uma resposta a essa cúpula que domina e exerce o poder. No entanto, sabemos que os votos nem sempre representam a verdadeira vontade de um povo, mas podemos ver os reflexos de um fenômeno que vem de outras eleições, o consenso geral de que os POLÍTICOS são corruptos e a APATIA frente a situação política que vive o País hoje.
Este é o resultado do esquecimento em que vivemos, somos em 729 dias (dois anos) CONSUMIDORES e apenas UM dia a cada dois anos é que somos lembrados de nossas responsabilidades como cidadãos, e somente neste dia é que somos lembrados de nossa importância dentro de um contexto político. É, sómente em dia de eleições que “lembramos” que vivemos em uma sociedade que nos obriga a exercer nosso papel de cidadão e SUJEITO que decide sua própria história. Sabemos que na prática não é isso o que acontece, é incrível o poder que a midia tem para eleger certos candidatos e derrotar outros, e como é que pessoas que vivem em plena miséria possam adotar o pensamento desta “elite” que comanda este país.
Eu acredito que um dos fatores da apatia geral da população brasileira pela política seja a falta de identidade do próprio povo brasileiro, que a cada dia mais nos é arrancado as tradições à qual nos identificamos como povo para substituir por uma cultura de consumidores, que se reconhecem naquilo que “possuem” (ter é ser), ou seja, nossa tradição é volatizada, aquilo que nos era sólido está se desfazendo conforme se dá a substituição de nossa identidade como povo-nação. Outro fator é a aceitação da ordem vigente, nós saimos de anos (DÉCADAS 60/70/80) de muito sangue brasileiro derramado, e que consiguiu calar e alienar a grande maioria das pessoas, este silêncio que nos foi imposto é através do pensamento de que não era possível derrubar a ditadura militar, este é o mesmo pensamento que reina hoje, nos parece muito difícil mudar o contexto político corrupto de nossa democracia. A mesma ética estóica reina em nosso povo, me parece que estamos cansados de ser constantemente derrotados e calados, que aceitamos nossas derrotas e acreditamos mesmo que o melhor seja não participar para não cometer os mesmos atos de nossos inimigos.
É uma situação que me dá tristeza e vergonha, por ter quase todos os meus movimentos amarrados em algo que não me liberta e que não me aparece, é como uma corda invisível que nos prende sem saber onde estamos amarrados, para a real transformação é preciso tentar ver a que estamos presos, sem enxergar nossa real condição continuaremos encarcerados e derrotados.
Ser ou não Ser? O dilema da educação.
Bom, retomando a temática do blog – analisar de que forma nós processamos as informações que nos chega e de que modo somos afetados por ela – irei abordar o assunto da educação, com a perspectiva de um iniciante na profissão de professor, e também, como cidadão que acredita no papel que a educação-conscientização pode exercer para a mudança/revolução em um país que consegue ser um dos mais desiguais de todo o globo mesmo possuindo uma reserva gigantesca de alimentos, energia, extensão, ótimo clima que proporciona ótimas safras.
Esta semana eu tive alguns “problemas” que me afetaram profundamente, na quinta-feira aconteceu dois casos que me deixaram muito pertubado. No primeiro caso, estava eu tentando dar minha aula de teoria da religião, estava falando sobre a posição do governo americano em relação aos adeptos do Islã e de que forma o governo americano utiliza este discurso para convencer ao mundo que o Iraque tinha relações com a rede terrorista Al- Qaeda. Em um certo momento da aula, um aluno disse: – Professor não quero fazer nada na sua aula, e logo em seguida, outro fez o mesmo. E como é normal nestes casos eu pedi para que se retirasse então da minha aula e fosse conversar com as pedagogas. Logo em seguida, eu fui conversar com os meninos e com a Pedagoga e me deparei com uma realidade que até então eu sabia de sua existência mas nunca tinha tido o contato tão forte com ela. A história de um dos meninos era a seguinte: o menino de 11 anos que têm 2 irmãos (um menino que já foi expulso deste mesmo colégio e uma menina que está para ser expulsa também). Esta criança tem sérios problemas de disciplina mas eu logo entendi o porque. Ele me contou que sua mãe vive no litoral do paraná com um cara (as pedagogas me disseram que ela é prostituta) e este menino e seus irmãos moram em Curitiba com a avó. Mas estas crianças já não querem mais viver com a vó, e sim, com a mãe, o problema é que caso a mãe os leve para morar com ela no litoral a avó perde a pensão paga pela mãe para cuidar das crianças, e também a mãe não pode os levar para sua cidade porque vive com um cara que não a deixa traze-las e sua profissão tampouco permite.
De que forma uma criança pode estudar e ser disciplinada desta forma? Como o professor deve intervir neste caso? Realmente não sei o que fazer. O Estado não fornece nenhum apoio para estas famílias e este caso não é uma ilha, não é algo isolado é a realidade de milhões de famílias brasileiras. É muito difícil porque caso o professor resolva fazer alguma coisa por estas crianças além de comprar uma briga com os pais que não consiguiram entender o real motivo de uma ajuda externa, como também é comprar briga com a própria escola que não quer intervir no seu relacionamento familiar dos alunos.
O segundo caso é muito parecido, depois de retirar o aluno da sala de aula e me deparei com outra história de desestrutura familiar. O aluno também tem por volta de 11 anos, ele me contou esta história com tanta naturalidade que me pareceu estar contando uma piada. Ele tem 3 irmãos, o pai dese menino está preso por roubo a mão armada, a mãe dele está em uma clínica de recuperação de usuários de drogas (a clínica de reabilitação fica em outra cidade). E o irmão mais velho também está preso por assassinato (ele matou uma pessoa no bar), quem cuida da criança em questão é sua irmã de 16 anos que já esta casada e tem um filho. Ele também relatou que os narco-traficantes queriam entrar na sua casa para pegar os móveis de valor para quitar a dívida que sua mãe tinha com eles mas por sorte seu pai ainda não estava preso e não deixou. Este menino trabalha com seu tio de manhã (antes da escola) e pela noite (depois da escola) e ganha miseros 20 REAIS POR SEMANA, na escola eu aprendi que isso é trabalho infantil escravo não vejo outro nome para isto. Me digam qual outra hora que esta criança tem para brincar? se trabalha de manhã e a noite e vai para a escola no período da tarde. Na escola dizem que é muito bom que ele esteja trabalhando porque assim ele ocupa o tempo e não fica na rua, mesmo a criança ganhando uma miséria para trabalhar todo este tempo.
Não há nenhum projeto por parte do Estado para dar uma vida digna para estas crianças, não há escolas em período integral, não a vontade política para agir conforme deveria. Como uma criança com estes exemplos que tem na sua família pode crescer e ser “normal” a distinção entre certo e errado é uma linha tênue que que é difícil aprender em casa quanto mais na escola. Qual é o futuro de uma nação que trata seus filhos como se fosse SOBRAS? De que fora esta criança crescerá e quais vão ser seus proplemas psicológicos? Já que seus padrões estéticos, políticos, familiares, são dados um alguem externo (a Televisão) e quando esta criança olha para dentro de casa e não vê nada parecido, qual é o sentimento desta criança? Qual sua culpa de nascer na família errada?
Eu perguntei a este menino o que ele esperava do futuro o que ele pensa que estaria fazendo daqui 5 anos. A resposta foi: – Penso que daqui cinco anos vou estar trabalhando. Isto é o que nós (professores e pedagogos) queriamos ouvir mas realmente não acredito que isto seja o que ele realmente quer.
Realmente eu gostaria de ouví-los, de sugestões, de que posso fazer para ajudar a estes meninos.
Desejo de Status (Status Anxiety)
Todos nós sofremos de um terrível mal: o DESEJO DE STATUS.
Esta é uma das primeiras frases do livro Desejo de Status do autor Alain Botton. O autor busca compreender o que ele denomina de “doença coletiva” que induz as pessoas a agir de certa forma, a busca pelo Status. Deste modo, os homens dão validade a seus princípios de acordo com a aprovação ou a reprovação do outro (que também tem fundamentado seus princípios para agir de modo alheio ao próprio Eu). É a busca de ser bem visto aos olhos dos outros que impulsiona o homem a agir de acordo com o “correto” e aprovado pelas pessoas a sua volta.
Esta dependência recíproca dos homens – a aprovação de suas atitudes – tem como fundamento a idéia da organização da sociedade de modo meritocrático. A meritocracia faz com que percebemos nitidamente as pessoas que são suficientemente “boas” para ser admiradas e seguidas, e as pessoas que não venceram na vida, que são inútil para a sociedade, estes são chamados de ninguém. É uma sociedade de VENCEDORES e PERDEDORES, de pessoas que possuem valor para os outros e de pessoas que só atrapalham a vida dos vencedores. A mobilidade social fez com que as pessoas fossem qualificadas de acordo com seu status ou sua capacidade de “vencer”.
sso fez com que as pessoas só tivessem valor perante os olhos dos outros (os “vencedores”, a minoria). Já a outra parte da população que é maioria, são formada pelos “perdedores”, aqueles que são burros, ignorantes ou preguiçosos, e por isso, não se empenharam em “vencer” na vida. Há uma completa inversão de valores. Antes na Idade Média, pela sociedade ter tido como seu fundamento o Cristianismo, os pobres eram aqueles que sofriam e trabalhavam duro mais eram visto pelos nobres e pelo clero como importantíssimos para o funcionamento da sociedade, sem os camponeses não haveria comida para a classe dominante. Com o fim da Idade Média, esses valores são invertidos, Adam Smith é um dos principais pensadores a tentar estabelecer uma nova ordem, ele afirmava que agora eram os ricos que sustentavam os pobres, estes não sobreviveriam caso os ricos não gastasse exageradamente. Inverte-se os valores, os pobres deixam de ter importância para o funcionamento da sociedade, para ser os culpados de sua própria desgraça. E é retirada a culpa dos ricos (vencedores) que alivia o peso de sua consciência.
Leiam o livro Desejo de Status, é muito importante para poder entender os motivos que levam as pessoas a agir, e de que modo somos influenciados e porque agimos contra nossa verdadeira vontade.
Final De Semana no Parque
Este post não precisarei falar nada, o “Mano Brown” é claro o bastante. Esta música é o retrato da concentração de renda no Brasil e a diferença de perspectiva entre as classes socials (rico/pobre). Leiam e escutem a música ao mesmo tempo. É do disco Holocausto Urbano dos Racionais Mc’s (um dos principais expoente do rap brasileiro e porta voz da juventude negra brasileira).
Chegou fim de semana todos querem diversão
Só alegria nós estamos no verão,
mês de Janeiro, São Paulo, Zona Sul
Todo mundo a vontade, calor, céu azul
Eu quero aproveitar o sol
Encontrar os camaradas prum basquetebol
Não pega nada
Estou à 1 hora da minha quebrada
Logo mais, quero ver todos em paz
Um, dois, três carros na calçada
Feliz e agitada toda “playboyzada”
As garagens abertas, eles lavam os carros
Disperdiçam a água, eles fazem a festa
Vários estilos, vagabundas, motocicletas
Coroa rico boca aberta, isca predileta
De verde florescente, queimada sorridente
A mesma vaca loura circulando como sempre
Roda a banca dos playboys do Guarujá
Muitos manos se esquecem mas na minha não cresce
Sou assim e estou legal, até me leve a mal
Malicioso e realista sou eu Mano Brown
Me de 4 bons motivos pra não ser
Olha meu povo nas favelas e vai perceber
Daqui eu vejo uma caranga do ano
Toda equipada e o tiozinho guiando
Com seus filhos ao lado, estão indo ao parque
Eufóricos, brinquedos eletrônicos
Automaticamente eu imagino
A molecada lá da área como é que tá
Provavelmente correndo pra lá e pra cá
Jogando bola descalços nas ruas de terra
É, brincam do jeito que dá
Gritando palavrão é o jeito deles
Eles não tem video-game, às vezes nem televisão
Mas todos eles tem um dom São Cosme São Damião
A única proteção.
No último Natal Papai Noel escondeu um brinquedo
Prateado, brilhava no meio do mato
Um menininho de 10 anos achou o presente,
Era de ferro com, 12 balas no pente
E fim de ano foi melhor pra muita gente
Eles também gostariam de ter bicicleta
De ver seu pai fazendo cooper tipo atleta
Gostam de ir ao parque e se divertir
E que alguém os ensinasse a dirigir
Mas ele só querem paz e mesmo assim é um sonho
Fim de semana do Parque Sto. Antônio.
Vamos passear no Parque
(Deixa o menino brincar)
Fim de Semana no parque
Vamos passear no Parque
(Vou rezar pra esse domingo não chover)
Olha só aquele clube que da hora
Olha aquela quadra, olha aquele campo, olha,
Olha quanta gente
Tem sorveteria, cinema, piscina quente
Olha quanto boy, olha quanta mina
Afoga essa vaca dentro da piscina
Tem corrida de kart dá pra ver
É igualzinho o que eu vi ontem na TV
Olha só aquele clube que da hora,
Olha o pretinho vendo tudo do lado de fora
Nem se lembra do dinheiro que tem que levar
Pro seu pai bem louco gritando dentro do bar
Nem se lembra de ontem de onde o futuro
Ele apenas sonha através do muro…
Milhares de casas amontoadas
Ruas de terra esse é o morro
A minha área me espera
Gritaria na frente (vamos chegando !)
Pode crer eu gosto disso mais calor humano
Na periferia a alegria é igual
É quase meio dia a euforia é geral
É lá que moram meus irmãos, meus amigos
E a maioria por aqui se parece comigo
E eu também sou bam bam bam e o que manda
O pessoal desde às 10 da manhã está no samba
Preste atenção no repique, atenção no acorde
(Como é que é Mano Brown ?)
Pode crer pela ordem
A número número 1 em baixa renda da cidade
Comunidade Zona Sul é dignidade
Tem um corpo no escadão a tiazinha desse o morro
Polícia a morte, polícia socorro
Aqui não vejo nenhum clube poliesportivo
Pra molecada frequentar nenhum incentivo
O investimento no lazer é muito escasso
O centro comunitário é um fracasso
Mas aí se quiser se destruir está no lugar certo
Tem bebida e cocaína sempre por perto
A cada esquina, 100, 200 metros
Nem sempre é bom ser esperto
Schimth, Taurus, Rossi, Dreyer ou Campari
Pronúncia agradável, estava inevitável
Nomes estrangeiros que estão no nosso meio pra matar
M.E.R.D.A.
Como se fosse hoje ainda me lembro
7 horas, Sábado, 4 de Dezembro
Uma bala uma moto com 2 imbecis
Mataram nosso mano que fazia o morro mais feliz
E indiretamente ainda faz, mano Rogério esteja em paz
Vigiando lá de cima
A molecada do Parque Regina.
Vamos passear no Parque
(Deixa o menino brincar)
Fim de Semana no parque
Vamos passear no Parque
(Vou rezar pra esse domingo não chover)
Tô cansado dessa porra, de toda essa bobagem
Alcoolismo, vingança, treta, malandragem
Mãe angustiada, filho problemático
Famílias destruídas, fins de semana trágicos
O sistema quer isso a molecada tem que aprender
Fim de semana no Parque Ipê.
Vamos passear no Parque
(Deixa o menino brincar)
Fim de Semana no parque
Vamos passear no Parque
(Vou rezar pra esse domingo não chover)
Quando o “entretenimento” deixa de ser diversão, e passa a ser manipulação de massas.
Ontem por acaso, em meio à conversas na sala de casa, a Tv estava ligada justamente na novela (folhetim) das oito (horário de maior audiência). Nos momentos em que terminavamos os assuntos, eu prestava a atenção na novela, lembrando de quando era adolescente, assistia a algumas novelas (como um jóvem comum), e me dava conta, que sempre hávia uma conexão com alguns personagens (de bom caráter) em relação aos produtos que estes utilizavam (as novelas também como veículo para a divulgação de algum produto ou propaganda deste). Bom, tendo em vista que, um produto cultural (no caso do folhetim) precisa de verbas para se manter, é até “aceitável”, porém, o que vi ontem não foi a divulgação de um produto (coisa), e sim, una propaganda ideológica referente aos interesses da classe dominante.
É inadimissível que um veículo de comunicação de massa, manipule seus telespectadores, levando em conta que, as novelas tem o caráter de divertir (entreter o telespectador), e não formar opiniões de maneira obscuras, colocando idéias de cunho político na boca de seus personagens, me refiro a campanha - que uma personagem da novela das oito da TV GLOBO – chamada de “BASTA!”, movimento (que se desenvolve na ficcão) que se diz ‘apolítico’ e ‘apartidário’ que representa a sociedade brasileira. Para mim, está claro o movemento de manipulação, este movimento “BASTA!” MOVIMENTO FICCIONAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA QUE QUER UM BASTA PARA OS PROBLEMAS POLÍTICOS DO PAÍS, é referência ao moviemento político real da SOCIEDADE PAULISTANA que se chama “CANSEI!”, movimento que realizou atos de protestos, formado em grande parte pela “elite” paulistana, em meados de setembro ou outubro do ano passado.
Até quando será permitido, que um veículo de comunicação que chega a quase todos os lares brasileiros, tenha a “liberdade” para manipular seus telespectadores, com a desculpa que não pode ser censurado, pois a censura é algo antidemocrático? E lembrando que, são as mesmas pessoas que estavam à favor da censura na ditadura militar (64/84).
Antidemocrático é inventar notícias, com a intenção de confundir o entendimento das pessoas, antidemocrático é utilizar de meios ilícitos para impor uma ideologia, de modo que o cidadão que assiste, não consegue ter uma distinção dos fatos que ocorrem (real/ficção). É preciso criar um órgão que fiscalize tudo que é divulgado nos meios de comunicação, e impor grandes multas para aqueles que desrespeitam as leis.
Alta de preço dos alimentos. Salve-se quem puder.
Bom há um tempo que venho me decepcionando com o nosso presidente o antes respeitável Sr. Luis Inácio Lula da Silva, e hoje servo do capital financeiro. É com muito desagrado que manifesto minha indignação a cerca de “nossa” vontade infinita de imitar nosso primo rico (USA). O Brasil junto com os Estados Unidos da América são os principais culpados pela repentina alta de preços dos alimentos, e o irracionalismo do racionamento de arroz, em diferentes partes do mundo. Qual é o problema? Justamente, a tentativa de manter o mercado funcionando a qualquer custo, transformando os alimentos (que necessitamos para viver) em alimento para coisas, ou seja, combustível de máquinas. São os BIOcombustíveis os responsáveis pela alta de preços dos alimentos. Como retirar comida de grande parte da população para manter funcionando algumas máquinas, qual é a justificativa ética para isso?
Temos em nosso país, uma grande área que poderia ser destinada a alimentação de todos os brasileiros, isso não acontece, pelo fato de que, o governo prefere o superáfit primário em suas contas que, investir em agricultura familiar, tendo em vista que, é através da agricultura familiar (pequeno agricultor) que é produzido os alimentos consumidos por grande parte dos brasileiros. A preferência pela monocultura faz com que, o Brasil, produza matéria-prima para exportação, sendo que, importa o produto final (industrializado), como acontecia a 50 anos à traz, quando o Brasil era desindustrializado.
Como é possível um governo que se diz de esquerda, não só produzir como incentivar a implementação dos biocombustíveis na Africa, Ásia e América, sendo que, são esses os países que mais sofrem e sofrerão com a falta e aumento dos preços dos alimentos. Onde queremos chegar? No aniquilamento total da raça humana? Não vejo saída para nossa espécie (e nosso planeta) se continuarmos trocando alimentos por combustível, que só alimentará as guerras por comida e água. Combustível esse que destrói o planeta, tanto indiretamente (no caso do aumento de preços dos alimentos com os biocombustíveis) e diretamente (com a emissão de gazes poluentes que destroem a possibilidade de vida na terra).
Vivemos em um período de transição, devemos escolher nosso caminho. Ou fingimos que não existe nenhum problema, e vivemos no máximo mais 50 anos no ritmo frenético de exploração ou nós mudamos todo o sistema em que vivemos com fins na permanência e preservação da vida na Terra.
Me parece que a primeira alternativa esta mais próxima. Me falta esperança, mais tomara que eu esteja errado, torço para isso, precisamos despertar de “nossos sonhos”, não existe desenvolvimento ou progresso, nos mentiram quando prometeram LIBERDADE, FRATERNIDADE E IGUALDADE, o pilar da idade moderna esta ruindo e salve-se quem puder.
Um dos problemas do homem moderno
Após algumas reflexões tentarei esboçar o problema que consigo perceber no homem moderno, o primeiro deles é a coisificação do mundo, ou seja, a relações dos homens estabelecidas por valores ditados pelo mercado, a outra é a impossibilidade de fundamentar novos valores, o problema de estabelecer novos princípios éticos para reger a inter-subjetividade.
Lembrando que este blog visa entender o que acontece com os homens, quando estes, são bombardeados de informações que o confundem induzindo-o ou até mesmo a imposição ao homem moderno de valores que tem o único fundamento, o mercado (relação pela qual o homem troca seus bens com outros). Já que a relação dos homens, ou seja, a inter-subjetividade se efetiva na troca de bens e não mais numa ética, tudo que entra nesta relação é coisificado, tudo passa a ter valor monetário, abolindo assim a esfera do sagrado da relação humana ocidental.
Além da coisificação do mundo temos outro problema que está diretamente relacionado a este e pode ter sido ele quem gerou a coisificação do mundo, o problema da fundamentação dos valores morais do homem moderno. Lembrando que para fundamentar uma ética (lembre que ética vem do termo grego ÉTHOS que é traduzida por “morada”, abrigo ou também costume, é por esta “morada” que o homem estabelece seus princípios para sua práxis no relacionamento com outros homens, é este o seu fundamento), é através da herança de uma tradição que fundamentamos nossos valores e nosso modo de agir, ou seja, é na tradição que construímos nossa “morada”, a sustentação de principios para o agir. O problema hoje é que estabelecemos nossos princípios para uma ação, não mais baseada no passado (tradição), e sim, no presente e futuro, é com a idéia de que precisamos destruir a tradição para a implementação do novo, que destruímos toda nossa base que nos sustenta. Essa não aceitação dos princípios vigentes teve origem na Grécia Antiga de Sócrates, é este personagem o primeiro a colocar em dúvida os valores que sustentavam as relações dos homens na Pólis, com isso, ao analisar a tradição a luz da razão, ele acaba por destruí las, já que é algo que pertence a esfera do sagrado, e a partir do momento que o homem toca o sagrado ele já está o profanizando, ou seja, perde seu valor de algo intocável.
É com a idéia de repensar a idéia dos valores éticos que se desenvolve a Filosofia depois de Sócrates, questionando um princípio de cada vez, desencantando a natureza ou em busca da ATÉLHEIA (em grego é traduzida como verdade ou o ato de “retirar o véu” que cobre a coisa desconhecida). É com o fim da crença da existência de um ser absoluto que se torna de uma maneira quase que impossível uma nova fundamentação de valores ético (nos moldes da moral). Com isto, acabamos por nos encontrar em um niilismo ético onde é necessário que o mercado (capital) dite as normas ou valores que os indivíduos devem adotar para o estabelecimento de suas relações.
Para resolver este existe dois caminhos, o caminho que percorreu Hegel, e o caminho que percorreu Nietzsche, acredito eu ser o caminho Nietzschiano o mais viável, mas pelo pouco de conhecimento que tenho ainda não poderei esboçar a tentativa deste autor.
Não exite aqui de maneira nem um, um posicionamento conservador ou contrareacionário, só estou indentificando o problema pelo qual estamos afundados, acredito que a saída Nietzschiana é a mais viável, ele tenta destruir por completo os valores vigentes, para reestabelecer-los não mais fundados na ética, e sim, em princípios estético, ele tira a razão do centro das relações humanas (já que a ética é de carater racional) para fundamentar seus princípios de valores nos sentidos ou melhor na vontade (a arte tem um papel fundamentel nesta teoria).
***Este texto contém muitos erros, é só uma tentativa de tentar demonstrar em uma maneira mas fácil a problemática que consigo perceber da atualidade e fazer com que as pessoas busquem mais informãções acerca deste assunto. Ainda me falta muito para estudar acerca deste tema. Lembrando que esse assunto é demasiado complexo para se resumir nestas poucas linhas, há pessoas que dedicaram toda sua vida a debater este assunto e morreram sem resolver este problema. Acho até que exista alguns erros meus de compreensão mas com o debate espero poder clarear e ordenar meus pensamentos.
O MAIS IMPORTANTE É DEBATER. COMENTEM!