Arquivo da categoria ‘Política’
Ato do dia 22 de Dezembro de 2009 em Solidariedade ao povo de Acteal
Ato realizado no Rio de Janeiro, em frente a embaixada mexicana.
Pela solidariedade as familias das vítimas e repúdio aos 12 anos de impunidade aos responsáveis pelo massacre de Acteal, entre os mentores está o Governo Mexicano.
Uma mensagem de força e resistência ao povo de Acteal.
Abaixo segue os videos do ato.
Documentário de Verdade
Bom, este post é só uma dica cultural…
acessem o site http://www.docverdade.blogspot.com/
lá tem muitos (mais muitos mesmo) documentários, todos com torrent ou links para baixá-los
Sugestões: Memorias del Saqueo, de Pino Solanas, este doc conta a história do período em que o neoliberalismo reinou na argentina.
ABC da Greve, de Leon Hirszman, conta a história do início das mobilizações dos sindicatos do ABC, ainda na ditatura militar.
O mundo segundo a Monsanto, de Marie-Monique Robin, este documentário é muito assustador, nos mostra o monopólio da monsanto, além das terríveis doenças geradas pelos venenos e hormônios que ingerimos todos os dias.
Até outro dia……
O Exército israelense e sua semelhança com a Polícia Militar carioca
Será que o exército gringo forneceu treinamento para o exército israelense e para a polícia carioca, “ocupar” ambos os lugares?
O medo causado pelo exército israelense, encarregado em desocupar os territórios palestinos, pode ser comparado com o medo que a população carioca tem da polícia por morar na favela?
Será que encontramos semelhanças entre a especulação imobiliária dos assentamentos judeus (ocupação do território palestino) com a desfavelização dos morros cariocas?
Qual a semelhança do “caveirão” para com um tanque de guerra, utilizado nos territórios palestinos para desalojar a população, com o intuito de abrir novos assentamentos judeus?
Será que ambos os lugares sofrem uma limpeza étnica?
Uma “outra” análise sobre o crescimento da economia brasileira
Bom, neste post me proponho a analisar o crescimento da economia brasileira nos dois governos do presidente Lula. Resolvi escrever está análise depois de ler um artigo de um professor francês chamado Serge Latouche, o título do artigo é “La opción del decrecimento”, este sintetiza de forma brilhante a problemática do crescimento econômico e sua viabilidade. É com base neste artigo que pretedo expor a minha análise, usarei da dialética para expor os pensamentos anteriores e sucessores à leitura deste artigo visando uma melhor compreenção do cenário brasileiro.
Há um tempo atrás, quando estourou a crise imobiliária nos estados unidos, o governo Lula anunciou algumas medidas de combate à crise financeira, são elas: diminuição do IPI (imposto sobre produtos industrializados), esse imposto era revertido às cidades para investimentos nas áreas sociais como educação, moradia e saúde; outra proposta foi diminuir os juros que fornecem os parâmetros para o cálculo das taxas de juros cobrados pelo mercado – principalmente os rendimentos dos títulos da dívida pública, fazendo com que diminua, consecutivamente, à dívida interna e também diminui os rendimentos dos empresários (leia-se: agiotas); e o aumento dos investimentos voltados para a construção civil, buscando aumentar a criação de empregos neste setor; o governo ao invés de “ajudar” aos cidadãos a saldarem suas dívidas e impedir as demissões nos centros industriais, o governo resolveu seguir o exemplo americano e destinou verbas públicas para “salvar” bancos e fábricas, sabemos que os “empresários” aproveitam os tempos de crise para demitir a mão-de-obra excedente em nome de uma possível “falência” agravando assim a conta de quem realmente paga pela crise, os trabalhadores.
Depois de expor as medidas do governo brasileiro para solucionar a crise financeira que ronda o nosso país e o mundo, é meu dever colocar a questão: Qual é o país que queremos para as futuras gerações? Um país “desenvolvido” ou “rico” que inclua seus compatriotas no mercado de consumo, porém, exclua os países que ainda não alcançaram o patamar de “desenvolvimento”? Ou queremos um país (Planeta Terra) onde todos os homens possam viver em situações dignas que proporcione alimentação, moradia e saúde para TOD@S? Já não é mais possível seguir o exemplo americano e europeu de desenvolvimento, o planeta não comporta mais CRESCIMENTO econômico, temos que pensar uma economia que não tenha como meta (finalidade) aumentar seu mercado para “desenvolver” o país e “subdesenvolver” os outros.
Deste modo, o autor Serge Latouche coloca a possibilidade de pensar em uma economia que tem como meta o “decrescimento”, isso não significa crescimento negativo, deve ser entendido como uma outra forma de pensar uma economia que seja compatível com cada lugar (região), assim, retira a universalidade da economia e coloca a criatividade humana para pensar uma economia que inclua a todos (não como consumidores) sem degradar o nosso habitat natural.
Esta busca por uma outra economia que seja alternativa para a manutenção da vida na terra, não só tem o intuito de romper com os dogmas criados pelo capitalismo, como coloca a questão do “progresso” da civilização, o avanço da burocracia, da tecnologia, da segurança, esses fatores melhoraram a vida da totalidade das sociedades? Quem realmente se beneficiou deste progresso de controle da sociedade seja pela técnica ou pela burocracia?
Portanto, a pergunta qual “desenvolvimento” queremos deve ser acompanhada com a questão da real possibilidade de um progresso para todos, assim, somos levados a questionar se o erro está no projeto de progresso que queremos ou se realmente queremos o “progresso”, não há outra saída e estamos fadados a ter que seguir pensando com a mesma lógica que mantém o sistema vigente?
OBS: a novidade deste blog ainda está sendo preparada, fiquem atentos…
¿LATINO AMÉRICA ES UN PUEBLO AL SUR DE ESTADOS UNIDOS?
Olá a todos os companheiros (as) que as vezes passam por aqui. Hoje nao escreverei nenhum artigo pois acredito que esta música fala muito melhor sobre o processo de mudança em que estamos vivendo
A música é de um grupo chileno que se chama Los Prisioneros e o nome da música é LATINO AMÉRICA ES UN PUEBLO AL SUR DE ESTADOS UNIDOS. Nós, latinos americanos, estamos em um momento muito especial de mudança radical, este fenômeno surge com a eleiçao de Hugo Chaves em 1988 e depois de 11 anos o povo Boliviano sigue dando continuidade a este processo de mudança/esperança em uma real democracia onde o povo é aquele quem Governa e, nao somente, tem o Poder.
É respirando este novos ares que escutei esta música, depois de um bom tempo sem escutá-la. O caminho a total liberdade daqueles que nos exporaram, humilharam nossos antepassados, e ainda humilham nossos pais e irmaos, é difícil mas estamos em um processo que ventos favoráveis sopram ao nosso lado. Ventos que nos trazem a oportunidade de, pela primeira vez na história desta terra, poder tomar decisoes sem a intervençao de um agente externo, antes os europeus agora os grigos. Deste modo, o povo boliviano aprovou a nova constituiçao que os ajudará a manter o processo revolucionário que vive este povo/continente. Outra demonstraçao de força foi a revisao da dívida exterma de Equador feita por Rafael Correa, o Equador tem como principal agiota o Brasil, sim este país que apesar da dura luta que temos contra o imperialismo Yanque seguimos sendo uma potência imperialista na América do Sul.
OBS: EU NAO ESTOU ATUALIZANDO ESTE BLOG PORQUE ESTOU VIAJANDO, NESTE MOMENTO, ESTOU EM GUADALAJARA RUMO A CIDADE DO MÉXICO.
Aqui vai a letra da música, aproveitem para baixá-la.
LATINO AMÉRICA ES UN PUEBLO AL SUR DE ESTADOS UNIDOS
Para turistas, gente curiosa
es un sitio exótico para visitar
Es solo un lugar económico
pero inadecuado para habitar
Les ofrecen Latinoamérica
el Carnaval de Río y las ruinas Aztecas
gente sucia vagando en las calles
dispuesta a venderse por algunos USA dolars
Nadie en el resto del planeta toma en serio
a este inmenso pueblo lleno de tristeza
Se sonríen cuando ven que tiene veintitantas banderitas
cada cual mas orgullosa de su soberanía
que tontería
dividir es debilitar
Las potencias son los protectores
que prueban sus armas en nuestras guerrillas
ya sean rojos o rallados
a la hora del final no hay diferencia
invitan a nuestros líderes
a vender su alma al diablo verde
inventan bonitas siglas
para que se sientan un poco mas importantes
Y el inocente pueblo de Latinoamérica
llorará si muere Ronald Reagan o la reina
y le sigue paso a paso la vida a Carolina
como si esa gente sufriera de subdesarrollo
Estamos en un hoyo
Parece que en realidad
Latinoamérica es un pueblo al sur de Estados Unidos
Latinoamérica es un pueblo al sur de Estados Unidos
Latinoamérica es un pueblo al sur de Estados Unidos
Latinoamérica es un pueblo al sur de Estados Unidos
Para que se sientan en familia
copiamos sus barrios a su estilo de vida
We try to talk in the jet set language
para que no nos crean incivilizados
Cuando visitamos sus ciudades
nos fichan y tratan como a delincuentes
Rusos, Ingleses, Gringos, Franceses
se ríen de nuestros novelescos directores.
Somos un pueblito tan simpático que todos
nos ayudan si se trata de una guerra armar
Pero esa misma cantidad de oro la podrían dar
para encontrar la solución definitiva al hambre
Latinoamérica es grande
debe aprender a decidir
Latinoamérica es un pueblo al sur de Estados Unidos
Latinoamérica es un pueblo al sur de Estados Unidos
Latinoamérica es un pueblo al sur de Estados Unidos
Latinoamérica es un pueblo al sur de Estados Unidos
O problema da educação dentro do Estado NEOLIBERAL “BRASILEIRO”.
Olá a todos os amigos que passam por este blog.
Hoje venho para escrever sobre a minha experiência como professor e o que pude perceber sobre a estrutura da escola que cada vez mais des – prepara o aluno para a batalha da vida.
Dia 29 de março de 2008, eu consegui algumas aulas nas escolas do Estado, as disciplinas eram Filosofia e Ensino Religioso para adultos e crianças de 10 à 13 anos, logo em seguida, consegui aulas de Sociologia para adolescentes de 17 à 21 anos. Foram quase 10 meses em sala de aula, antes com a perspectiva do aluno e agora com a perspectiva do professor, portanto, pretendo aqui demonstrar o que conseguir ver meio a tantas sombras que nos impede a visão total do problema que estou abordando, a educação no Brasil.
Quando aluno, eu me revoltava diariamente, pois sempre pensei estar do lado mais fraco do problema e, por isso, era muito rebelde na escola e, também, fora dela. Hoje, percebo que a opressão acontece na ordem decrescente: o Estado obriga as escolas a possuírem um índice de rendimento escolar fora dos padrões possíveis, os dirigentes das escolas obrigam aos professores e funcionários a cumprirem com esses planejamentos ao mesmo tempo em que o professor, através de uma metodologia instrumental que prioriza alunos que respondem melhor aos estímulos ordenados, oprime os alunos igualando a todos e faz com que muitos que se comportam de modos diferentes sejam eliminados deste sistema através da padronização do ensino. Já por parte dos pais, que pressionam os pedagogos e diretores a passar seu filho à próxima série, o mesmo acontece com o Estado que diminui verbas dadas as escolas, caso esta escola tenha um índice de reprovação muito alto. Esta é a rede de opressão que nos IMPÕE um caminho que não queremos e, todavia, as possibilidades de mudança são pouquíssimas.
Nas aulas de Sociologia, eu tentava de tudo para fazer com que os alunos compreendessem o contexto no qual vivem, mas no fim do ano ficou a impressão que quase não consegui dar conta do recado, e o que falei o ano todo em nada adiantou, parece que eu estava dando aulas para surdos, sempre que a sala estava quieta e olhando para mim, eu fazia uma pergunta ordinária e ninguém me respondia, batia um tremendo desanimo me parece que depois que a ditadura militar aboliu o ensino da Sociologia e da Filosofia nas escolas públicas, as pessoas já não conseguem estabelecer uma relação que envolve seu próprio contexto no qual vivem com as idéias alheias que se transformam em pensamento único. Mas, os alunos não têm culpa alguma, eles são tão vítimas como nós professores, pedagogos e diretores que a todo tempo sofremos com a opressão.
Preciso que entendam que o Estado tampouco é o problema, na verdade ele é a solução, o problema se enraíza na diminuição do Estado quando este se retira do espaço público aumentando, assim, a importância do bem privado que exclui a camada da população que precisa dos serviços do Estado para sobreviver. Quando legamos o dever do Estado somente a sua administração, deixamos um grande espaço para as empresas que só tem compromissos com os rendimentos do capital investido, são eles que tomam a frente do Estado e transformam a miséria do povo em uma mercadoria muito rentável que produz lucros enormes e, também, proporciona a “lavagem do dinheiro sujo”. Deste modo, retira a obrigação do Estado que é proporcionar as condições básicas para a manutenção da vida de seus cidadãos. É através do discurso da péssima administração Estatal que a classe dominante obriga os administradores do Estado a “conceder a licença para fornecer serviços a população”, sabemos que este “favor” não vem de graça, o capital aplicado quer retorno, e é pelas verbas públicas vindas do Estado que as empresas privadas superfatura os serviços concedidos ao Estado e, assim, garante o dinheiro investido (LUCRO) que se alimenta da pobreza de grande parte da população pobre.
Esta é a perspectiva que tenho acerca do contexto no qual vivo e que tentei transmitir aos meus alunos, apesar de achar que não fui bem sucedido continuarei nesta profissão de professor por acreditar que a revolução só se realizará quando as pessoas tomarem consciência da injustiça na qual estão submetidas e, assim, criar possibilidades para revoltar e lutar pela melhoria da vida em todos os âmbitos de nossa sociedade.
OBS: É bom lembrar que amanhã tem no centro do rodaviva o delegado Protógenes, assista e entenderá um pouco mais o que se passa atrás das curitinas que esconde os crimes cometido pelas classes dominantes. Assitam pela TV CUltura ou pelo site www.tvcultura.com.br/rodaviva às 22:10 da noite de segunda-feira dia 22/12/2008.
O blog tem o intuito de tentar levar a você uma perspectiva diferente e causar discussão e debate de idéias, contribua, comente.
Redução do consumo individual, adianta e influi na diminuição da destruição do Planeta?
Bom, a uns dias atrás assisti pela TV um cidadão fazendo uma palestra sobre redução do consumo individual como proposta para diminuir a destruição do Planeta e, também, a influência dessa atitude individual perante as outras pessoas.
Então, surgiram algumas questões que estão atormentando minha tranquilidade, como pode acontecer uma diminuição do consumo se a cada dia somos bombardeados por novas informações que nos empurram e nos convence a jogar fora coisas que ainda são úteis para que possamos comprar novas coisas que nos satisfaça momentaneamente.
Mas, este não é o problema principal como veremos mais adiante, no entanto, a diminuição do consumo já está acontecendo, nesta crise que o capitalismo está sofrendo é um problema de produção vs consumo, com os valores pagos para a produção de um produto qualquer pelo método da mais-valia não é possível vender este produto produzido, pois, não há quem compre porque o dinheiro que os trabalhadores recebem é sómente para sua sobrevivência que não inclui a compra de bens de consumo. Para que os produtos produzidos possam ser consumidos é preciso que as instituições financeiras emprestem dinheiro (fictício) para que as pessoas possam comprar os bens que eles próprios produziram e, assim, faça rodar a roleta do cassino chamado Economia. E quando já não é mais possível continuar emprestando para comprar e pagando as dívidas anteriores, ou seja, é o não recebimento do dinheiro que os bancos não tinham mais emprestaram aos trabalhadores que é o grande causador da crise financeira em que vivemos.
Bom, depois desse adendo pretendo colocar o real problema em que percebi na palestra do cidadão (que não lembro o nome) acerca da redução do consumo individual.
Primeiro, as atitudes individuais dentro de uma sociedade elas só dizem respeito ao espaço privado do indivíduo, ou seja, sua casa, dentro de uma sociedade é no espaço público que temos que resolver nossos problemas através do diálogo e do debate, porém, sei muito bem que esse contexto já não se encaixa na nossa sociedade atual que tem como primazia o Espaço privado que invade cada dia mais o espaço público. A proposta de diminuição do consumo individual é uma atitude dos sujeitos enquanto indivíduos que não interfere necessariamente na mudança de uma sociedade de massas. É através do espaço público (rua: lugar onde nos relacionamos com os outros semelhantes e deixamos de ser indivíduo) que poderemos exigir mudanças que altere a estrutura da nossa sociedade, como os movimentos de massas que eram comum em todo século XX.
A invasão do espaço privado que diminuiu o tamanho do espaço público fez com que chegassemos ao um conceito nunca antes visto, que é o conceito de Sociedade de Massas SOLITÁRIAS, isto é, uma sociedade que só se identífica como uma sociedade de compradores individuais que se alienou do mundo ao ponto de não se importar mais com ele, como se fosse possível viver em outro.
A minha resposta a pergunta do texto é NÃO e SIM. Não é possível conter a destruição do mundo de modo individual, isso não quer dizer que o consumo individual ao ser diminuido não gere mudanças, e sim, que essa atitude de diminuir o consumo individual deve ser sómente a primeira ação do homem rumo a uma mudança mais radical. Sómente através da auto-destrição que o próprio sistema capitalista tem como semente dentro de si mesmo (como diria KARL MARX) e a retomada do espaço público como meio para que possamos debater e resolver problemas, é que poderiamos salvar a vida do Planeta.
OBS: Para cada saco de lixo que nós indivíduos produzimos é preciso outros 70 sacos de lixos para fazer este que você leva à esquina todo dia.
OBS2:Incrível o salto de acessos que este blog teve nos últimos dias, isso me deixou muito feliz e me deu animo para voltar a escrever.
Liberdade ao debate de idéias.
Ser ou não Ser? O dilema da educação.
Bom, retomando a temática do blog – analisar de que forma nós processamos as informações que nos chega e de que modo somos afetados por ela – irei abordar o assunto da educação, com a perspectiva de um iniciante na profissão de professor, e também, como cidadão que acredita no papel que a educação-conscientização pode exercer para a mudança/revolução em um país que consegue ser um dos mais desiguais de todo o globo mesmo possuindo uma reserva gigantesca de alimentos, energia, extensão, ótimo clima que proporciona ótimas safras.
Esta semana eu tive alguns “problemas” que me afetaram profundamente, na quinta-feira aconteceu dois casos que me deixaram muito pertubado. No primeiro caso, estava eu tentando dar minha aula de teoria da religião, estava falando sobre a posição do governo americano em relação aos adeptos do Islã e de que forma o governo americano utiliza este discurso para convencer ao mundo que o Iraque tinha relações com a rede terrorista Al- Qaeda. Em um certo momento da aula, um aluno disse: – Professor não quero fazer nada na sua aula, e logo em seguida, outro fez o mesmo. E como é normal nestes casos eu pedi para que se retirasse então da minha aula e fosse conversar com as pedagogas. Logo em seguida, eu fui conversar com os meninos e com a Pedagoga e me deparei com uma realidade que até então eu sabia de sua existência mas nunca tinha tido o contato tão forte com ela. A história de um dos meninos era a seguinte: o menino de 11 anos que têm 2 irmãos (um menino que já foi expulso deste mesmo colégio e uma menina que está para ser expulsa também). Esta criança tem sérios problemas de disciplina mas eu logo entendi o porque. Ele me contou que sua mãe vive no litoral do paraná com um cara (as pedagogas me disseram que ela é prostituta) e este menino e seus irmãos moram em Curitiba com a avó. Mas estas crianças já não querem mais viver com a vó, e sim, com a mãe, o problema é que caso a mãe os leve para morar com ela no litoral a avó perde a pensão paga pela mãe para cuidar das crianças, e também a mãe não pode os levar para sua cidade porque vive com um cara que não a deixa traze-las e sua profissão tampouco permite.
De que forma uma criança pode estudar e ser disciplinada desta forma? Como o professor deve intervir neste caso? Realmente não sei o que fazer. O Estado não fornece nenhum apoio para estas famílias e este caso não é uma ilha, não é algo isolado é a realidade de milhões de famílias brasileiras. É muito difícil porque caso o professor resolva fazer alguma coisa por estas crianças além de comprar uma briga com os pais que não consiguiram entender o real motivo de uma ajuda externa, como também é comprar briga com a própria escola que não quer intervir no seu relacionamento familiar dos alunos.
O segundo caso é muito parecido, depois de retirar o aluno da sala de aula e me deparei com outra história de desestrutura familiar. O aluno também tem por volta de 11 anos, ele me contou esta história com tanta naturalidade que me pareceu estar contando uma piada. Ele tem 3 irmãos, o pai dese menino está preso por roubo a mão armada, a mãe dele está em uma clínica de recuperação de usuários de drogas (a clínica de reabilitação fica em outra cidade). E o irmão mais velho também está preso por assassinato (ele matou uma pessoa no bar), quem cuida da criança em questão é sua irmã de 16 anos que já esta casada e tem um filho. Ele também relatou que os narco-traficantes queriam entrar na sua casa para pegar os móveis de valor para quitar a dívida que sua mãe tinha com eles mas por sorte seu pai ainda não estava preso e não deixou. Este menino trabalha com seu tio de manhã (antes da escola) e pela noite (depois da escola) e ganha miseros 20 REAIS POR SEMANA, na escola eu aprendi que isso é trabalho infantil escravo não vejo outro nome para isto. Me digam qual outra hora que esta criança tem para brincar? se trabalha de manhã e a noite e vai para a escola no período da tarde. Na escola dizem que é muito bom que ele esteja trabalhando porque assim ele ocupa o tempo e não fica na rua, mesmo a criança ganhando uma miséria para trabalhar todo este tempo.
Não há nenhum projeto por parte do Estado para dar uma vida digna para estas crianças, não há escolas em período integral, não a vontade política para agir conforme deveria. Como uma criança com estes exemplos que tem na sua família pode crescer e ser “normal” a distinção entre certo e errado é uma linha tênue que que é difícil aprender em casa quanto mais na escola. Qual é o futuro de uma nação que trata seus filhos como se fosse SOBRAS? De que fora esta criança crescerá e quais vão ser seus proplemas psicológicos? Já que seus padrões estéticos, políticos, familiares, são dados um alguem externo (a Televisão) e quando esta criança olha para dentro de casa e não vê nada parecido, qual é o sentimento desta criança? Qual sua culpa de nascer na família errada?
Eu perguntei a este menino o que ele esperava do futuro o que ele pensa que estaria fazendo daqui 5 anos. A resposta foi: – Penso que daqui cinco anos vou estar trabalhando. Isto é o que nós (professores e pedagogos) queriamos ouvir mas realmente não acredito que isto seja o que ele realmente quer.
Realmente eu gostaria de ouví-los, de sugestões, de que posso fazer para ajudar a estes meninos.
Desejo de Status (Status Anxiety)
Todos nós sofremos de um terrível mal: o DESEJO DE STATUS.
Esta é uma das primeiras frases do livro Desejo de Status do autor Alain Botton. O autor busca compreender o que ele denomina de “doença coletiva” que induz as pessoas a agir de certa forma, a busca pelo Status. Deste modo, os homens dão validade a seus princípios de acordo com a aprovação ou a reprovação do outro (que também tem fundamentado seus princípios para agir de modo alheio ao próprio Eu). É a busca de ser bem visto aos olhos dos outros que impulsiona o homem a agir de acordo com o “correto” e aprovado pelas pessoas a sua volta.
Esta dependência recíproca dos homens – a aprovação de suas atitudes – tem como fundamento a idéia da organização da sociedade de modo meritocrático. A meritocracia faz com que percebemos nitidamente as pessoas que são suficientemente “boas” para ser admiradas e seguidas, e as pessoas que não venceram na vida, que são inútil para a sociedade, estes são chamados de ninguém. É uma sociedade de VENCEDORES e PERDEDORES, de pessoas que possuem valor para os outros e de pessoas que só atrapalham a vida dos vencedores. A mobilidade social fez com que as pessoas fossem qualificadas de acordo com seu status ou sua capacidade de “vencer”.
sso fez com que as pessoas só tivessem valor perante os olhos dos outros (os “vencedores”, a minoria). Já a outra parte da população que é maioria, são formada pelos “perdedores”, aqueles que são burros, ignorantes ou preguiçosos, e por isso, não se empenharam em “vencer” na vida. Há uma completa inversão de valores. Antes na Idade Média, pela sociedade ter tido como seu fundamento o Cristianismo, os pobres eram aqueles que sofriam e trabalhavam duro mais eram visto pelos nobres e pelo clero como importantíssimos para o funcionamento da sociedade, sem os camponeses não haveria comida para a classe dominante. Com o fim da Idade Média, esses valores são invertidos, Adam Smith é um dos principais pensadores a tentar estabelecer uma nova ordem, ele afirmava que agora eram os ricos que sustentavam os pobres, estes não sobreviveriam caso os ricos não gastasse exageradamente. Inverte-se os valores, os pobres deixam de ter importância para o funcionamento da sociedade, para ser os culpados de sua própria desgraça. E é retirada a culpa dos ricos (vencedores) que alivia o peso de sua consciência.
Leiam o livro Desejo de Status, é muito importante para poder entender os motivos que levam as pessoas a agir, e de que modo somos influenciados e porque agimos contra nossa verdadeira vontade.
Operação Condor (Plan Cóndor)
Operação Condor ou Plan Cóndor (nome em espanhol), este é o nome da rede que colocava em contato os regimes militares dos países como Chile (criador da operação), Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, com o fim de trocar informações sobre os subversivos, troca de informações de modos de tortura (especialmete com Brasil que tinha uma grande experiências de táticas de tortura), e também, existia o intercânbio de presos, ou seja, as polícias nacionas tinham total liberdade para prender compatriotas em território externo (como foi o caso descoberto da polícia uruguaia quando prendeu uma cidadã uruguaia em território brasileiro).
A operação Condor nasceu em 1975 no Chile, no periodo da ditatura de Augusto Pinochet ditador que sucedeu (por um golpe de estado) o Presidente eleito democraticamente Salvador Allende (presidente que buscava implantar um socialismo democrático no Chile), a operação condor nasceu com a finalidade de trocar informações com outros países (que também possuiam governos militares) para manutenção da ordem e melhor “acompanhamento” dos subversivos. Mas tomou proporções enormes, como conferências entre as polícias dos países envolvidos, para obter novas formas de tortura, e novos modos de esconder os corpos. A operação Condor não se manteve no ambito político, esteve também, no ambito universitário, existia dentro das universidades professores, acadêmicos, reitores, e outros funcionários, que foram implantado pelas ditaduras de países do Cone Sul para “monitorar” os atos e manifestações que iam de encontro com os interesses da classe domintante em questão (os militares).
Esta rede que unia todo Cone Sul foi fundamental para sufocar e destruir qualquer resistência que poderia ocorrer. Os militares justificavam constantemente as ações de repreenção, em vista do medo ao espectro do “comunismo” que rondava a América do Sul, foi com a desculpa de destruir o “TERRORISMO” que os governos militares se uniram para barrar esse Mal ao Cone Sul.
Foram milhares de mortos e de desaparecidos, centenas de crianças raptadas e abandonadas pelos governos militares (crianças que eram roubadas de suas famílias e deixadas em outros países para serem adotados por pessoas “normais”, ou seja, famílias que não tinham nenhuma restrição aos governos militares), essas são algumas das crueldades que foram feitas pelos governos militares nos países do Cone Sul, e é somente, a superficie de todo o problema, quando for aberto os aquivos das ditaduras veremos toda a crueldade e todo o HOLOCAUSTO que ocorreu na América Latina e não é conhecido nos livros de história.
Há pouquissimas coisas sobre a Operação Condor, mais podemos encontra entre livros e documentários, fontes para uma maior investigação e resgate da memória de compatriotas e irmãos de otros países que lutaram contra a ditadura e por uma sociedade igualitária.