Código Z: o mal estar social

Archive for the ‘Uncategorized’ Category

O Exército israelense e sua semelhança com a Polícia Militar carioca

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Será que o exército gringo forneceu treinamento para o exército israelense e para a polícia carioca, “ocupar” ambos os lugares?

O medo causado pelo exército israelense, encarregado em desocupar os territórios palestinos, pode ser comparado com o medo que a população carioca tem da polícia por morar na favela?

Será que encontramos semelhanças entre a especulação imobiliária dos assentamentos judeus (ocupação do território palestino) com a desfavelização dos morros cariocas?

Qual a semelhança do “caveirão” para com um tanque de guerra, utilizado nos territórios palestinos para desalojar a população, com o intuito de abrir novos assentamentos judeus?

Será que ambos os lugares sofrem uma limpeza étnica?

Uma “outra” análise sobre o crescimento da economia brasileira

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Bom, neste post me proponho a analisar o crescimento da economia brasileira nos dois governos do presidente Lula. Resolvi escrever está análise depois de ler um artigo de um professor francês chamado Serge Latouche, o título do artigo é “La opción del decrecimento”, este sintetiza de forma brilhante a problemática do crescimento econômico e sua viabilidade. É com base neste artigo que pretedo expor a minha análise, usarei da dialética para expor os pensamentos anteriores e sucessores à leitura deste artigo visando uma melhor compreenção do cenário brasileiro.

Há um tempo atrás, quando estourou a crise imobiliária nos estados unidos, o governo Lula anunciou algumas medidas de combate à crise financeira, são elas: diminuição do IPI (imposto sobre produtos industrializados), esse imposto era revertido às cidades para investimentos nas áreas sociais como educação, moradia e saúde; outra proposta foi diminuir os juros que fornecem os parâmetros para o cálculo das taxas de juros cobrados pelo mercado – principalmente os rendimentos dos títulos da dívida pública, fazendo com que diminua, consecutivamente, à dívida interna e também diminui os rendimentos dos empresários (leia-se: agiotas); e o aumento dos investimentos voltados para a construção civil, buscando aumentar a criação de empregos neste setor; o governo ao invés de “ajudar” aos cidadãos a saldarem suas dívidas e impedir as demissões nos centros industriais, o governo resolveu seguir o exemplo americano e destinou verbas públicas para “salvar” bancos e fábricas, sabemos que os “empresários” aproveitam os tempos de crise para demitir a mão-de-obra excedente em nome de uma possível “falência” agravando assim a conta de quem realmente paga pela crise, os trabalhadores.

Depois de expor as medidas do governo brasileiro para solucionar a crise financeira que ronda o nosso país e o mundo, é meu dever colocar a questão: Qual é o país que queremos para as futuras gerações? Um país “desenvolvido” ou “rico” que inclua seus compatriotas no mercado de consumo, porém, exclua os países que ainda não alcançaram o patamar de “desenvolvimento”? Ou queremos um país (Planeta Terra) onde todos os homens possam viver em situações dignas que proporcione alimentação, moradia e saúde para TOD@S? Já não é mais possível seguir o exemplo americano e europeu de desenvolvimento, o planeta não comporta mais CRESCIMENTO econômico, temos que pensar uma economia que não tenha como meta (finalidade) aumentar seu mercado para “desenvolver” o país e “subdesenvolver” os outros.

Deste modo, o autor Serge Latouche coloca a possibilidade de pensar em uma economia que tem como meta o “decrescimento”, isso não significa crescimento negativo, deve ser entendido como uma outra forma de pensar uma economia que seja compatível com cada lugar (região), assim, retira a universalidade da economia e coloca a criatividade humana para pensar uma economia que inclua a todos (não como consumidores) sem degradar o nosso habitat natural.

Esta busca por uma outra economia que seja alternativa para a manutenção da vida na terra, não só tem o intuito de romper com os dogmas criados pelo capitalismo, como coloca a questão do “progresso” da civilização, o avanço da burocracia, da tecnologia, da segurança, esses fatores melhoraram a vida da totalidade das sociedades? Quem realmente se beneficiou deste progresso de controle da sociedade seja pela técnica ou pela burocracia?

Portanto, a pergunta qual “desenvolvimento” queremos deve ser acompanhada com a questão da real possibilidade de um progresso para todos, assim, somos levados a questionar se o erro está no projeto de progresso que queremos ou se realmente queremos o “progresso”, não há outra saída e estamos fadados a ter que seguir pensando com a mesma lógica que mantém o sistema vigente?

OBS: a novidade deste blog ainda está sendo preparada, fiquem atentos…

Escrito por paulo

21/08/2009 em 18:27

Em breve, voltaremos com algumas surpresas.

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Há muito que eu não atualizo este blog, mas prometo que no segundo semetre teremos algumas surpresas.
Aguardem…

Paulo Gustavo

Otro Mundo, Otro Camino:
Abajo y a la Izquierda.

Escrito por paulo

12/07/2009 em 00:35

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Panorama para 2010: é possível um governo realmente de esquerda?

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Olá comp@s ,  há muito não venho através deste blog compartir uma “outra visão do mundo”, a idéia que lhes apresento hoje vem sendo meditada há algum tempo. Por isso hoje não abordarei o problema através do método proposto (analisar as notícias, guerras, fatos, descobertas científicas e etc., tentarei pensar como estas informações chegam a nós, como as absorvemos, e em que medida estas são capazes de afetar nosso comportamento e nossos princípios).

Me ocorreu há um tempo atrás a idéia das possibilidades de um governo realmente de ESQUERDA. A pergunta é fundamental, pois o Brasil é o maior País da América Latina e, também, é o país que possuem a maior multiplicidade de culturas em uma mesma nação, não existe um Brasil e sim vários BRASIS. A diferença é tamanha que pode ser percebida facilmente pelos diferentes sotaques de cada região, não só isso, como a cada região existe uma cultura popular própria. Falo de vários Brasis (referência ao grande Antropólogo Darcy Ribeiro) que existe amigavelmente dentro de um Brasil maior, a ligação dos Brasis é feita através da língua e algumas características legadas pelos nossos antepassados, os índios Tupi-Guaranis e por aqueles que aqui estiveram depois da conquista como portugueses e negros.

Mas, nem tudo são flores na terra da multiplicidade de culturas que só são iguais quando referidas como diferentes. Depois desta pequena história baseada no Livro do Darcy Ribeiro, o Povo Brasileiro, pretendo pensar as eleições que vão ocorrer em 2010 para a disputa do cargo de presidentes, senadores, deputados e governadores. Estas eleições ainda me parece como incógnita, os partidos que compõe a oposição (a DIREITA) tem grandes problemas com o discurso que devem ter em relação ao atual governo, é óbvio e não há como negar que houve mudanças que melhoraram a vida do povo brasileiro e como diria Maquiável, o Príncipe não deve só ter a “vitrú” como é fundamental possuir a fortuna (pode-se traduzir por sorte). Esses dois pontos a “virtú” e a “fortuna” foi fundamental para a melhoria do governo Lula. Em 2006, a mídia oposicionista derrubou dois Ministros importantes que estavam impedindo um governo mais progressista, foi a substituição destes Ministros que proporcionou uma mudança de rumo do governo Lula. Tendo em vista que a oposição não consegue articular um discurso contra o governo,  2010  poderá ser decisivo para o Futuro do Brasil, mas de que modo podemos nos organizar e constituir um governo realmente de esquerda que leve em conta as carências dos povos de baixa rende e, ao mesmo tempo, não barganhe a política social com medidas que favorecem as camadas mais ricas do País?

Somente a união dos partidos políticos de esquerda, um movimento de bases que proporcione não só a eleição para Presidente, mas, também, que possamos eleger deputados, senadores e governadores progressistas, pois este é o principal problema do Brasil hoje, nós brasileiros estamos preocupados com a eleição para presidente e esquecemos da importância de eleger candidatos a senadores, deputados e governadores, a classe do legislativo está toda na mão de partidos comerciantes (que trocam favores e aprovam as medidas somente se lhe for cedido algum cargo administrativo), isso faz com que O Brasil esteja em descompasso com os diversos Brasis que o compõe, é preciso que a esquerda se mobilize (independente de qual organização seja) para montar uma base que proporcione um governo realmente de esquerda, JÁ BASTA de seguir com esta barganha de cargos para a aprovação de algumas medidas que possa melhorar a vida da população em troca de favores comerciais e políticos.

 É importante deixar claro que esse fenômeno não ocorreu somente no governo Lula, e sim é uma herança maldita que nos foi legado por dezenas de governos, isso tem como fundamento a impossibilidade de fazer um governo que agrade a todos os Brasis existentes, mesmo em relação a classe dominante, esta sempre em constante desacordo. Na história do Brasil sempre houve focos de rebeliões quando a vontade de um brasil era imposta aos outros brasis, como foi o caso da instituição da República que gerou levantamentos monarquistas em diversos lugares. Isso nos faz pensar nas possibilidades de um governo realmente de esquerda, é preciso que o próprio povo brasileiro construa este governo, levando em conta sua bagagem cultural e histórica, seus ensinamentos e suas demandas, temos que inventar um socialismo baseado na cultura destes diversos brasis, só assim pode haver de fato um governo de esquerda.

Unir os distintos Brasis para inventar uma sociedade mais justa

Unir os distintos Brasis para inventar uma sociedade mais justa

Escrito por paulo

28/03/2009 em 12:06

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Ser ou não Ser? O dilema da educação.

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Bom, retomando a temática do blog – analisar de que forma nós processamos as informações que nos chega e de que modo somos afetados por ela – irei abordar o assunto da educação, com a perspectiva de um iniciante na profissão de professor, e também, como cidadão que acredita no papel que a educação-conscientização pode exercer para a mudança/revolução em um país que consegue ser um dos mais desiguais de todo o globo mesmo possuindo uma reserva gigantesca de alimentos, energia, extensão, ótimo clima que proporciona ótimas safras.

Esta semana eu tive alguns “problemas” que me afetaram profundamente, na quinta-feira aconteceu dois casos que me deixaram muito pertubado. No primeiro caso, estava eu tentando dar minha aula de teoria da religião, estava falando sobre a posição do governo americano em relação aos adeptos do Islã e de que forma o governo americano utiliza este discurso para convencer ao mundo que o Iraque tinha relações com a rede terrorista Al- Qaeda. Em um certo momento da aula, um aluno disse: – Professor não quero fazer nada na sua aula, e logo em seguida, outro fez o mesmo. E como é normal nestes casos eu pedi para que se retirasse então da minha aula e fosse conversar com as pedagogas. Logo em seguida, eu fui conversar com os meninos e com a Pedagoga e me deparei com uma realidade que até então eu sabia de sua existência mas nunca tinha tido o contato tão forte com ela. A história de um dos meninos era a seguinte: o menino de 11 anos que têm 2 irmãos (um menino que já foi expulso deste mesmo colégio e uma menina que está para ser expulsa também). Esta criança tem sérios problemas de disciplina mas eu logo entendi o porque. Ele me contou que sua mãe vive no litoral do paraná com um cara (as pedagogas me disseram que ela é prostituta) e este menino e seus irmãos moram em Curitiba com a avó. Mas estas crianças já não querem mais viver com a vó, e sim, com a mãe, o problema é que caso a mãe os leve para morar com ela no litoral a avó perde a pensão paga pela mãe para cuidar das crianças, e também a mãe não pode os levar para sua cidade porque vive com um cara que não a deixa traze-las e sua profissão tampouco permite.

De que forma uma criança pode estudar e ser disciplinada desta forma? Como o professor deve intervir neste caso? Realmente não sei o que fazer. O Estado não fornece nenhum apoio para estas famílias e este caso não é uma ilha, não é algo isolado é a realidade de milhões de famílias brasileiras. É muito difícil porque caso o professor resolva fazer alguma coisa por estas crianças além de comprar uma briga com os pais que não consiguiram entender o real motivo de uma ajuda externa, como também é comprar briga com a própria escola que não quer intervir no seu relacionamento familiar dos alunos.

O segundo caso é muito parecido, depois de retirar o aluno da sala de aula e me deparei com outra história de desestrutura familiar. O aluno também tem por volta de 11 anos, ele me contou esta história com tanta naturalidade que me pareceu estar contando uma piada. Ele tem 3 irmãos, o pai dese menino está preso por roubo a mão armada, a mãe dele está em uma clínica de recuperação de usuários de drogas (a clínica de reabilitação fica em outra cidade). E o irmão mais velho também está preso por assassinato (ele matou uma pessoa no bar), quem cuida da criança em questão é sua irmã de 16 anos que já esta casada e tem um filho. Ele também relatou que os narco-traficantes queriam entrar na sua casa para pegar os móveis de valor para quitar a dívida que sua mãe tinha com eles mas por sorte seu pai ainda não estava preso e não deixou. Este menino trabalha com seu tio de manhã (antes da escola) e pela noite (depois da escola) e ganha miseros 20 REAIS POR SEMANA, na escola eu aprendi que isso é trabalho infantil escravo não vejo outro nome para isto. Me digam qual outra hora que esta criança tem para brincar? se trabalha de manhã e a noite e vai para a escola no período da tarde. Na escola dizem que é muito bom que ele esteja trabalhando porque assim ele ocupa o tempo e não fica na rua, mesmo a criança ganhando uma miséria para trabalhar todo este tempo.

Não há nenhum projeto por parte do Estado para dar uma vida digna para estas crianças, não há escolas em período integral, não a vontade política para agir conforme deveria. Como uma criança com estes exemplos que tem na sua família pode crescer e ser “normal” a distinção entre certo e errado é uma linha tênue que que é difícil aprender em casa quanto mais na escola. Qual é o futuro de uma nação que trata seus filhos como se fosse SOBRAS? De que fora esta criança crescerá e quais vão ser seus proplemas psicológicos? Já que seus padrões estéticos, políticos, familiares, são dados um alguem externo (a Televisão) e quando esta criança olha para dentro de casa e não vê nada parecido, qual é o sentimento desta criança? Qual sua culpa de nascer na família errada?

Eu perguntei a este menino o que ele esperava do futuro o que ele pensa que estaria fazendo daqui 5 anos. A resposta foi: – Penso que daqui cinco anos vou estar trabalhando. Isto é o que nós (professores e pedagogos) queriamos ouvir mas realmente não acredito que isto seja o que ele realmente quer.

Realmente eu gostaria de ouví-los, de sugestões, de que posso fazer para ajudar a estes meninos.

Escrito por paulo

07/09/2008 em 15:01

O capitalismo matou o FUTEBOL.

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Depois de muito tempo sem escrever, voltei, para escrever sobre uma das paixões de minha vida. Não o capitalismo claro, e sim o Futebol.

Neste momento, estou vendo uma entrevista do Zico e surgiram alguns pensamentos que resolvi compartir com os poucos leitores que tem acesso a este blog.

Bom, há muito tempo já não vemos mais amor ao esporte, tanto por parte dos torcedores como por parte dos jogadores. O Futebol virou MERCADORIA, conseguiram coisificar a maior paixão da humanidade. O único esporte que pára o mundo inteiro para ver o campeonato do mundo. Não há outro esporte que move tanta paixão como o Futebol.

O Capital não perdoa, como uma raposa se apropriou da maior paixão da humanidade para transformá-lo em uma grande opção para lavar o dinheiro sujo do capital financeiro, do tráfico, da sonegação de impostos, desvio de verbas (corrupção). E também, a invasão dos bancos no circuito do futebol, a compra de juízes como foi o caso no campeonato Brasileiro de 2004 (se não me engano, quando o corinthans ganhou), e provavelmente a Copa do Mundo, também é manipulada por sua cúpula para favorecer e encobrir erros de governos corruptos e mal administrados.

Deixa-me muito triste saber destas manipulações e, como está sendo a capitalização do futebol. Cada vez mais torcemos não para um time, e sim, para uma instituição que mantém as financias deste clube. Os dirigentes já não se importam com os torcedores, estes os únicos que não tem culpa pela calamidade que passa o futebol. Os ingressos cada vez mais caros, a diretoria que ajuda e é conveniente com as torcidas organizadas, mantendo estas organizações que impõe medo e terror nos estádios.

O êxodo do torcedor do estádio não tem nenhuma importância para os times, cada vez mais os estádios ficam vazios, cada vez menos o jogador cria identidade com a torcida e com o time. As torcidas organizadas são manipuladas e só protestam contra aqueles que não financiam seus custos. O mesmo se passa com a Seleção brasileira, que ao final de um jogo, já não desembarca no seu próprio país. A identidade das pessoas com o futebol está em xeque. E o grande responsável por isso tudo é a velha raposa de nome Capitalismo, que conseguiu coisificar mais uma paixão, o FUTEBOL. Roubaram-nos quase tudo, saquearam o nosso povo e levaram também nossa tradição. O que resta agora é a nostalgia de tempos dourados do futebol mundial, desde os radialistas que narravam a partida com grande emoção, ao jogador que entrava em campo só pelo fato de representar aquele time que torcia desde criança.

Desculpa, por não atualizar o blog, tive alguns problemas e só agora minha vida esta voltando ao normal.

Escrito por paulo

22/08/2008 em 21:42

Férias. Vacaciones.

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Bom, hoje entro em férias, estou indo para a Argentina e logo mais notícias desde la tierra de Maradona.

Notas de viajem e algumas novidades em breve.

Paulo Gustavo

Escrito por paulo

11/07/2008 em 01:28

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Desejo de Status (Status Anxiety)

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Todos nós sofremos de um terrível mal: o DESEJO DE STATUS.

Esta é uma das primeiras frases do livro Desejo de Status do autor Alain Botton. O autor busca compreender o que ele denomina de “doença coletiva” que induz as pessoas a agir de certa forma, a busca pelo Status. Deste modo, os homens dão validade a seus princípios de acordo com a aprovação ou a reprovação do outro (que também tem fundamentado seus princípios para agir de modo alheio ao próprio Eu). É a busca de ser bem visto aos olhos dos outros que impulsiona o homem a agir de acordo com o “correto” e aprovado pelas pessoas a sua volta.

Esta dependência recíproca dos homens – a aprovação de suas atitudes – tem como fundamento a idéia da organização da sociedade de modo meritocrático. A meritocracia faz com que percebemos nitidamente as pessoas que são suficientemente “boas” para ser admiradas e seguidas, e as pessoas que não venceram na vida, que são inútil para a sociedade, estes são chamados de ninguém. É uma sociedade de VENCEDORES e PERDEDORES, de pessoas que possuem valor para os outros e de pessoas que só atrapalham a vida dos vencedores. A mobilidade social fez com que as pessoas fossem qualificadas de acordo com seu status ou sua capacidade de “vencer”.

sso fez com que as pessoas só tivessem valor perante os olhos dos outros (os “vencedores”, a minoria). Já a outra parte da população que é maioria, são formada pelos “perdedores”, aqueles que são burros, ignorantes ou preguiçosos, e por isso, não se empenharam em “vencer” na vida. Há uma completa inversão de valores. Antes na Idade Média, pela sociedade ter tido como seu fundamento o Cristianismo, os pobres eram aqueles que sofriam e trabalhavam duro mais eram visto pelos nobres e pelo clero como importantíssimos para o funcionamento da sociedade, sem os camponeses não haveria comida para a classe dominante. Com o fim da Idade Média, esses valores são invertidos, Adam Smith é um dos principais pensadores a tentar estabelecer uma nova ordem, ele afirmava que agora eram os ricos que sustentavam os pobres, estes não sobreviveriam caso os ricos não gastasse exageradamente. Inverte-se os valores, os pobres deixam de ter importância para o funcionamento da sociedade, para ser os culpados de sua própria desgraça. E é retirada a culpa dos ricos (vencedores) que alivia o peso de sua consciência.

Leiam o livro Desejo de Status, é muito importante para poder entender os motivos que levam as pessoas a agir, e de que modo somos influenciados e porque agimos contra nossa verdadeira vontade.

Escrito por paulo

27/06/2008 em 15:13

Final De Semana no Parque

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Este post não precisarei falar nada, o “Mano Brown” é claro o bastante. Esta música é o retrato da concentração de renda no Brasil e a diferença de perspectiva entre as classes socials (rico/pobre). Leiam e escutem a música ao mesmo tempo. É do disco Holocausto Urbano dos Racionais Mc’s (um dos principais expoente do rap brasileiro e porta voz da juventude negra brasileira).

Chegou fim de semana todos querem diversão
Só alegria nós estamos no verão,
mês de Janeiro, São Paulo, Zona Sul
Todo mundo a vontade, calor, céu azul
Eu quero aproveitar o sol
Encontrar os camaradas prum basquetebol
Não pega nada
Estou à 1 hora da minha quebrada
Logo mais, quero ver todos em paz
Um, dois, três carros na calçada
Feliz e agitada toda “playboyzada”
As garagens abertas, eles lavam os carros
Disperdiçam a água, eles fazem a festa
Vários estilos, vagabundas, motocicletas
Coroa rico boca aberta, isca predileta
De verde florescente, queimada sorridente
A mesma vaca loura circulando como sempre
Roda a banca dos playboys do Guarujá
Muitos manos se esquecem mas na minha não cresce
Sou assim e estou legal, até me leve a mal
Malicioso e realista sou eu Mano Brown
Me de 4 bons motivos pra não ser
Olha meu povo nas favelas e vai perceber
Daqui eu vejo uma caranga do ano
Toda equipada e o tiozinho guiando
Com seus filhos ao lado, estão indo ao parque
Eufóricos, brinquedos eletrônicos
Automaticamente eu imagino
A molecada lá da área como é que tá
Provavelmente correndo pra lá e pra cá
Jogando bola descalços nas ruas de terra
É, brincam do jeito que dá
Gritando palavrão é o jeito deles
Eles não tem video-game, às vezes nem televisão
Mas todos eles tem um dom São Cosme São Damião
A única proteção.
No último Natal Papai Noel escondeu um brinquedo
Prateado, brilhava no meio do mato
Um menininho de 10 anos achou o presente,
Era de ferro com, 12 balas no pente
E fim de ano foi melhor pra muita gente
Eles também gostariam de ter bicicleta
De ver seu pai fazendo cooper tipo atleta
Gostam de ir ao parque e se divertir
E que alguém os ensinasse a dirigir
Mas ele só querem paz e mesmo assim é um sonho
Fim de semana do Parque Sto. Antônio.

Vamos passear no Parque
(Deixa o menino brincar)
Fim de Semana no parque
Vamos passear no Parque
(Vou rezar pra esse domingo não chover)

Olha só aquele clube que da hora
Olha aquela quadra, olha aquele campo, olha,
Olha quanta gente
Tem sorveteria, cinema, piscina quente
Olha quanto boy, olha quanta mina
Afoga essa vaca dentro da piscina
Tem corrida de kart dá pra ver
É igualzinho o que eu vi ontem na TV
Olha só aquele clube que da hora,
Olha o pretinho vendo tudo do lado de fora
Nem se lembra do dinheiro que tem que levar
Pro seu pai bem louco gritando dentro do bar
Nem se lembra de ontem de onde o futuro
Ele apenas sonha através do muro…
Milhares de casas amontoadas
Ruas de terra esse é o morro
A minha área me espera
Gritaria na frente (vamos chegando !)
Pode crer eu gosto disso mais calor humano
Na periferia a alegria é igual
É quase meio dia a euforia é geral
É lá que moram meus irmãos, meus amigos
E a maioria por aqui se parece comigo
E eu também sou bam bam bam e o que manda
O pessoal desde às 10 da manhã está no samba
Preste atenção no repique, atenção no acorde
(Como é que é Mano Brown ?)
Pode crer pela ordem
A número número 1 em baixa renda da cidade
Comunidade Zona Sul é dignidade
Tem um corpo no escadão a tiazinha desse o morro
Polícia a morte, polícia socorro
Aqui não vejo nenhum clube poliesportivo
Pra molecada frequentar nenhum incentivo
O investimento no lazer é muito escasso
O centro comunitário é um fracasso
Mas aí se quiser se destruir está no lugar certo
Tem bebida e cocaína sempre por perto
A cada esquina, 100, 200 metros
Nem sempre é bom ser esperto
Schimth, Taurus, Rossi, Dreyer ou Campari
Pronúncia agradável, estava inevitável
Nomes estrangeiros que estão no nosso meio pra matar
M.E.R.D.A.
Como se fosse hoje ainda me lembro
7 horas, Sábado, 4 de Dezembro
Uma bala uma moto com 2 imbecis
Mataram nosso mano que fazia o morro mais feliz
E indiretamente ainda faz, mano Rogério esteja em paz
Vigiando lá de cima
A molecada do Parque Regina.

Vamos passear no Parque
(Deixa o menino brincar)
Fim de Semana no parque
Vamos passear no Parque
(Vou rezar pra esse domingo não chover)

Tô cansado dessa porra, de toda essa bobagem
Alcoolismo, vingança, treta, malandragem
Mãe angustiada, filho problemático
Famílias destruídas, fins de semana trágicos
O sistema quer isso a molecada tem que aprender
Fim de semana no Parque Ipê.

Vamos passear no Parque
(Deixa o menino brincar)
Fim de Semana no parque
Vamos passear no Parque
(Vou rezar pra esse domingo não chover)

Escrito por paulo

23/05/2008 em 06:14

Publicado em Arte, Conflito Urbano, Midia, Ética

Um dos problemas do homem moderno

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Após algumas reflexões tentarei esboçar o problema que consigo perceber no homem moderno, o primeiro deles é a coisificação do mundo, ou seja, a relações dos homens estabelecidas por valores ditados pelo mercado, a outra é a impossibilidade de fundamentar novos valores, o problema de estabelecer novos princípios éticos para reger a inter-subjetividade.

Lembrando que este blog visa entender o que acontece com os homens, quando estes, são bombardeados de informações que o confundem induzindo-o ou até mesmo a imposição ao homem moderno de valores que tem o único fundamento, o mercado (relação pela qual o homem troca seus bens com outros). Já que a relação dos homens, ou seja, a inter-subjetividade se efetiva na troca de bens e não mais numa ética, tudo que entra nesta relação é coisificado, tudo passa a ter valor monetário, abolindo assim a esfera do sagrado da relação humana ocidental.

Além da coisificação do mundo temos outro problema que está diretamente relacionado a este e pode ter sido ele quem gerou a coisificação do mundo, o problema da fundamentação dos valores morais do homem moderno. Lembrando que para fundamentar uma ética (lembre que ética vem do termo grego ÉTHOS que é traduzida por “morada”, abrigo ou também costume, é por esta “morada” que o homem estabelece seus princípios para sua práxis no relacionamento com outros homens, é este o seu fundamento), é através da herança de uma tradição que fundamentamos nossos valores e nosso modo de agir, ou seja, é na tradição que construímos nossa “morada”, a sustentação de principios para o agir. O problema hoje é que estabelecemos nossos princípios para uma ação, não mais baseada no passado (tradição), e sim, no presente e futuro, é com a idéia de que precisamos destruir a tradição para a implementação do novo, que destruímos toda nossa base que nos sustenta. Essa não aceitação dos princípios vigentes teve origem na Grécia Antiga de Sócrates, é este personagem o primeiro a colocar em dúvida os valores que sustentavam as relações dos homens na Pólis, com isso, ao analisar a tradição a luz da razão, ele acaba por destruí las, já que é algo que pertence a esfera do sagrado, e a partir do momento que o homem toca o sagrado ele já está o profanizando, ou seja, perde seu valor de algo intocável.

É com a idéia de repensar a idéia dos valores éticos que se desenvolve a Filosofia depois de Sócrates, questionando um princípio de cada vez, desencantando a natureza ou em busca da ATÉLHEIA (em grego é traduzida como verdade ou o ato de “retirar o véu” que cobre a coisa desconhecida). É com o fim da crença da existência de um ser absoluto que se torna de uma maneira quase que impossível uma nova fundamentação de valores ético (nos moldes da moral). Com isto, acabamos por nos encontrar em um niilismo ético onde é necessário que o mercado (capital) dite as normas ou valores que os indivíduos devem adotar para o estabelecimento de suas relações.

Para resolver este existe dois caminhos, o caminho que percorreu Hegel, e o caminho que percorreu Nietzsche, acredito eu ser o caminho Nietzschiano o mais viável, mas pelo pouco de conhecimento que tenho ainda não poderei esboçar a tentativa deste autor.

Não exite aqui de maneira nem um, um posicionamento conservador ou contrareacionário, só estou indentificando o problema pelo qual estamos afundados, acredito que a saída Nietzschiana é a mais viável, ele tenta destruir por completo os valores vigentes, para reestabelecer-los não mais fundados na ética, e sim, em princípios estético, ele tira a razão do centro das relações humanas (já que a ética é de carater racional) para fundamentar seus princípios de valores nos sentidos ou melhor na vontade (a arte tem um papel fundamentel nesta teoria).

 

***Este texto contém muitos erros, é só uma tentativa de tentar demonstrar em uma maneira mas fácil a problemática que consigo perceber da atualidade e fazer com que as pessoas busquem mais informãções acerca deste assunto. Ainda me falta muito para estudar acerca deste tema. Lembrando que esse assunto é demasiado complexo para se resumir nestas poucas linhas, há pessoas que dedicaram toda sua vida a debater este assunto e morreram sem resolver este problema. Acho até que exista alguns erros meus de compreensão mas com o debate espero poder clarear e ordenar meus pensamentos.

O MAIS IMPORTANTE É DEBATER. COMENTEM!

Escrito por paulo

14/03/2008 em 09:07