bullying: o último efeito da cadeia de opressão.

Posted on 09/04/2011

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O assassinato em série ocorrido numa escola do Rio de Janeiro tem provocado um intenso debate que, na maioria das vezes, apresenta o “bullying” como fator determinante do ocorrido. De fato, essa é uma das formas pelas quais a opressão opera. Digo isso pois é importante notar esta como a principal característica para o desenvolvimento da “bullymia”. Essa cadeia de opressão atinge a todos, e não só aos jovens.

Antes de mais nada, precisamos entender o que gerou essa cadeia de opressão, esta é o resultado de um processo econômico que precisa criar necessidades (desejos de consumo) para dar conta do excesso produzido, gerando lucros cada vez maiores. Para que se siga mantendo as taxas de lucros cada vez mais altas foi necessário impor aos produtos uma obsolescência planejada, isto é, limitar a quantidade de tempo que este produto se mantém durável. Aliado a esses dois fatores, os lucros se mantém extratoféricos na medida em que se cria uma atmosfera na qual o indivíduo (ou consumidor) se sente inseguro e precisa aproximar-se cada vez mais de um padrão (social e financeiro) para se auto-afirmar (ou ser bem sucedido). É neste momento em que as mídias entram em ação, através de filmes, publicidades, novelas, músicas e etc. Todo esse instrumento de “criação de uma subjetividade consumista” obedece a um fim: o lucro (ou a busca pelo lucro, manutenção do Capital).

Desse modo, pode-se entrever que o bullying não está reservado ao ambiente escolar, ele é sim uma tática da qual a sociedade capitalista impõe aos indivíduos uma subjetividade consumista. É a pressão que o Outro impõe àquele que não está dentro do padrão estabelecido que oprime e mantém a maquina do Capital girando. A forma mais evidente de bulllying se dá na relação “sexual”; não digo do ato sexual, mas da relação que antecede o ato. No caso do homem, a necessidade de ter um carro (como presença do fálico) do qual possa se afirmar perante as mulheres e perante os “amigos”. No caso da mulher, (na ausência do fálico) precisa se apoiar em homens que possam demonstrá-lo, ou seja, homens que tenham carros que chamem bastante atenção. Claro que não é o carro que chama a atenção mas é sinal de que o indivíduo possui o fálico suprassumo, o dinheiro (que permite comprar o carro).

Pois bem, o assassinato releva uma ponta do problema que estamos constantemente deixando de lado. Como é que a criação de desejos (de consumo) modifica a relação que eu tenho com o Outro e comigo mesmo? Não será o bullying a expressão da opressão exercida sob os indivíduos por aquilo que Marx chamou de Fetiche da Mercadoria? A pergunta fundamental é se realmente vale a pena seguir vivendo sob a égide do Capital? essa pergunta ganha força justamente quando não parece haver um horizonte que aponte para uma sociedade pós-capitalista, essa é a ironia na qual nós, marxistas, temos que lidar.

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