O PSD como a forma desenvolvida da política do PMBD

Posted on 25/10/2011

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A criação do PSD, pelo ex-prefeito Gilberto Kassab, tem como intuito aprofundar a política implementada pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), que tem como principal característica histórica ser da base governista independente da “ideologia” que o partido (governo) possui. O Lulismo já aponta para a adequação à política implementada pelo PMDB, na medida em que proprôs uma conciliação de classes que convergisse os interesse dos empresários e dos trabalhadores (veja a carta ao brasileiros momentos antes da eleição para presidente de 2002).

Desde a abertura do processo democrático, o PMDB se mantém próximo (senão, junto) da base governista, mesmo que em algumas situações tenha se colocado como “oposição”. Este partido se caracteriza por ter membros que possuem grandes redutos eleitorais e tem assim uma base sólida para seus candidatos, apesar destes não terem seus nomes reconhecidos em âmbito nacionais, isso proporciona a flexibilidade do partido em estabelecer uma posição centrista. Assim é possível dizer que esses redutos eleitorais mais se parecem com feudos, nos quais professor de Filosofia da Unicamp, Marcos Nobre, diz que “esses grupos de interesse que pegam uma determinada posição e se organizam de tal maneira que, quando você vai fazer alguma política que lhes digam respeito, tem de consultá-los, pois eles têm poder de veto”. Deste modo, para Marcos Nobre, fazer política no Brasil é contornar os vetos.

Seguindo os passos do PMDB, o PSD se propõe a ser o ponto de convergência daqueles que perderam espaço no espectro político para o fenômeno do Lulismo. Assim, cabe àqueles que ficaram na “oposição” (fora da base governista) se organizarem em outro partido que lhes permita se aproximar do governo sem romper com os velhos aliados (principalmente do PSDB e os que restaram no DEM). A ideia que funda o PSD consiste então no fato de que o Partido possui uma diretriz de centro, isto é, o partido pretende ser sempre governista (por exemplo, permite-se apoiar o governo do PSDB em São Paulo e o Governo Petista em âmbito nacional) É deste modo que pode-se dizer que o PSD é a forma desenvolvida da política do PMDB.

O PSD busca assim reunir forças políticas opostas com o intuito possibilitar alianças com qualquer grupo que esteja no governo (seja municipal, estadual ou federal). Segundo as palavras de Kassab no programa Roda Viva da TV Cultura de São Paulo, “o Partido busca conciliar as ideias sociais-liberais com ideias socialistas, ou seja, é preciso que haja um Estado forte em relação à educação e saúde, ao passo que se garanta os direitos individuais como a liberdade de imprensa”. A ironia instaurada pela criação do PSD consiste no fato de que o Partido de centro acaba por criar um Partido sem Partido, pode-se então apoiar a todos sem se comprometer com nenhum. A lógica deste evento parece residir na própria perversão do modelo, na medida em que se reproduzi acaba por eliminar as bases do seu fundamento, deste modo, permanece apenas o seu simulacro, logo, a sua realização só acontece sob a pena de perverção do modelo original.

Portanto, a política implementada pelo PMDB após a “democratização”, assim como o seu desenvolvimento através do governo Lula, se realiza na criação do PSD, que busca reunir diversos setores sociais (claramente opostos) com o intuito de ser um partido que está em todas as esferas do poder institucional. Entretanto, essa política de não possuir uma clara linha política acabará por ser o limite para o seu crescimento, ou seja, este partido já nasce morto. Assim como anuncia a morte desse modo de se fazer política, na medida em que a crise econômica agrava as contradições sociais, a política centrista acaba sendo engessada pelas forças que se engendram e se contrapõem. Assim sendo, manter-se “neutro” no período de crise prepara o terreno para uma saída revolucionária ou fascista (talvez a saída fascita já esteja posta desde a criação do PSD, tendo em vista que a prefeitura de São Paulo, na gestão de GilBerto Kassab, possuia 29 sub-prefeituras administradas por ex-comandantes da PM).

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