Quero (mesmo) ser John Malkovich?

Posted on 21/04/2012

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Quero ser John Malkovich.

Assustador! Não há outras palavras pra definir este filme, que nos lança em questionamentos infindáveis sobre nossa existência. Questionamentos que beiram o delírio, a sanidade corre serio risco, a fronteira tênue entre a razão e a loucura se desfaz, razão e loucura parecem estar no mesmo polo.

Seria insano o questionamento acerca da possibilidades de sermos títeres governados por uma vontade mais forte? E se a autonomia que julgamos possuir for fruto de uma ilusão? E se duvidássemos disso que nos parece ser algo tao razoável, isto eh, que não somos n´´os que governamos os nossos corpos, que há uma vontade (que não é a nossa) que nos move a agir. Seria loucura? Provavelmente, mas o filme “Quero ser John Malkovich” nos lança neste cenario, somos lançados numa questão vital para a manutenção da nossa sanidade, e se não fossemos n´´os os autores das nossas próprias vidas? Que terrível seria estar vivendo manipulado por um outro que não n´´os mesmos. Deus já fez essa figura? Provavelmente, nos tempos em que se depositava todas as fichas na conta do Criador. Sempre temos a impressão de estar sendo enganados, e se não fosse o Outro que nos enganasse? E se fossemos n´´os mesmos os responsáveis pela construção dessa peça na qual encenamos, que temos como único espectador, por incrível que pareça, eu mesmo. O único leitor deste textos.

Benjamin começa as suas teses sobre a historia propondo que a historia, como o materialismo dialético a entende, parece ser governada por alguém, como um títere governa seus bonecos. Isso nos da a segurança de que venceremos. De que o fim é certo e seguro.

Já Hoffmann deposita a genialidade do artista num automato, que não tem consciência do que faz, é um mero boneco na mão de outro boneco. E se fossemos assim? Mas seriamos autômatos de quem? Quem nos moveria? Que desgraça tivemos que fazer para ter esse destino? Somos bonecos governados por n´´os mesmos. Parece que o suicídio é a única forma de por fim a essa desgraça que é ser manipulado por alguém.

No entanto, essa atitude já não seria algo pensando, como um xadrezista que coloca as peças de tal modo com que espera tal reação do outro jogador, para que este enfim caia na sua armadilha? Que destino assustador, sempre perdermos…. não importa o que façamos.

Essas verdades são pesadas de mais para que lembremos todos os dias. Precisamos apaga-las para seguir vivendo como um bom títere que obedece ao seu mestre. Acho que ultrapassei a fronteira que separa a razao da loucura, nada mais me assegura que não estou louco. Quando me olhei no espelho depois de ver o filme, realmente pensei que alguém estava olhando pelos meus olhos. Engraçado, há cerca de um ano, eu sonhei com esse filme. Sonhei que estava fugindo e na fuga encontrei uma portinha, que me levava direto para não sei pra onde, me teletransportava. Hoje quando fui alugar o filme, me lembrei desse sonhos. Isso me atraiu ainda mais. Mas me sinto agora igual John Malkovich ao entrar túnel que da acesso ao seu próprio ^amago. Já nem sei como me referir a “isso”.

Que estranha sensação, como é possível? Dominar. Dominar. Dominar. Tudo o quanto possível. Dominar a tudo e a todos. Essa é a meta! Dominar para não ser dominado, felizes aqueles que são felizes por serem dominados, sentem prazer nisso. Eu não sinto. Mas também não quero ser dominado, nem quero dominar. A pergunta não deve ser mais como essa sensação é possível, mas como por fim a esse circulo de dominante e dominado. Já basta!

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